O Centro de Ciências e Saberes: Anciões do Ouricuri, participou de evento “Justiça Ambiental e Combate ao racismo Ambiental", realizado na Capital baiana. O evento organizado pela Universidade Federal da Bahia, contou com a presença de Promotores de Justiça, Defensores Públicos, deputados, sociedade civil e estudantes da Faculdade de Direito da Bahia em Salvador. A cacique Josenilda Marques foi convidada para apresentar as iniciativas do Centro de Ciências e saberes, no papel fundamental na proteção do meio ambiente e no combate às mudanças climáticas.
Nas exposições de conhecimentos tradicionais e sua relação com a natureza, os povos indígenas contribuem para a preservação das florestas, dos rios e da biodiversidade.
O Centro de Ciências e Saberes, além de salvaguardar objetos e artefatos indígenas, promovem ações voltadas para a preservação do territórios indígena da Taboa Pankararu, ajudando na continuação de práticas extrativista em técnicas ancestrais, no manuseio das vegetações utilizadas na cultura, afim de evitar supressão da vegetação. Práticas indígenas de manejo da terra podem contribuir para prevenir incêndios, recuperar áreas degradadas e utilizar os recursos naturais de forma sustentável.
O Centro de Ciências e Saberes também desenvolve ações de manutenção das espécies nativas da caatinga, com o banco de sementes criolas e com o meliponário para a repopulação das abelhas nativas, com apoio da FUNAI. O Meliponário é uma das práticas de auxílios de tecnologias para salvaguardar abelhas nativas quase extintas. O viveiro de mudas de croá, oricuri, umbuzeiros e outras plantas utilizadas na ritualística são focos na manutenção da vegetação, sem estas, a cultura do povo corre grande perigo!
As ações do Centro, buscam contribuir diretamente para a preservação dos saberes tradicionais, o trabalho desenvolvido pelas artesãs e anciãs, contudo, ampliam seu protagonismo na preservação da natureza, e valoriza conhecimentos por meio da oralidade e das boas práticas comunitárias.
A cacique Josenilda Marques reforça a importância da conservação da caatinga e sua contribuição na reduzir a emissão de gases de efeito estufa e proteger o clima. Os povos originários protegem espécies de plantas e animais, e, mantêm conhecimentos sobre o uso sustentável dos recursos naturais.
"E as mulheres da Taboa Pankararu tem uma preocupação na manutenção da vegetação do nosso território, explica. Proteger os territórios dos povos originários significa proteger culturas, biodiversidade e recursos naturais, além de contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas, e todas nós temos isso como parte de nossa realidade", conclui a cacique.
Redação/fotos: Josenilda Marques
Blog Sertão News, 8/9/26

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